22 de janeiro de 2009

Regata Amarela Ospício














*Linda blusa! (Só vendo porque não me serve mais)
*Marca: Ospício
*Material: 100% algodão
* Tamanho: PP/P
*O brilho da bonequinha e das letras não é o mesmo de antes, mas ainda estão lá.
*R$20,00 + frete


Quer levar? Deixe seu e-mail e cep nos comentários!



Você pode negociar o pagamento comigo ou (taxa de R$2,00 inclusa)


4 de agosto de 2008

De mudança

Briguei com o Blogger.
Fui para o Wordpress.
MEU NOVO BLOG AQUI

12 de julho de 2008

História das coisas

Navegando pela internet, descobri esse vídeo incrível. History of Stuff trata de um curta sobre os impactos econômicos, sociais, históricos e culturais da cadeia de produção/consumo/descarte em desenhos bonitinhos e numa fala agradável. Aproveitem, e depois deêm uma passada no site do vídeo.


7 de julho de 2008

Escola Livre de Jornalismo

Tá certo que entrei pro curso de Comunicação querendo fazer criação visual e publicidade, mas assim que entrei no rumo certo (será?) e resolvi me dedicar mais às letras e aos fatos do que aos desenhos e às fantasias, me deparei com uma questão. O curso de Comunicação Social da UFMG forma comunicólogos, não jornalistas. Lá se ensina a pensar sobre o jornalismo, não a exercê-lo. Claro que a reflexão sobre o trabalho é fundamental para o desempenho na profissão -principalmente esta- mas a UFMG está formando pessoas para estudar o fenômeno do jornalismo e não para atuar nas redações -situação que é a mesma da maioria de seus professores.

O primeiro motivo dessa situação é justamente esse. A maioria dos professores já faz muito tempo que não pisa numa redação, ou sequer pisou. Nosos docentes têm mais prática em escrever textos acadêmicos do jornalísticos. O segundo motivo talvez seja o próprio lugar onde o curso de Comunicação Social da UFMG está instalado: dentro da Fafich. A nós, somam-se os cursos de História, Psicologia, Ciências Socias e Filosofia. Cursos totalmente voltados para a produção teórica, que têm como prática mais frequente as salas de aula e a produção de textos acadêmicos -tirando dessa lista talvez a Psicologia.

Por isso, desde o final do segundo período, senti a necessidade de procurar experiência fora das salas de aula num estágio. Se é impossível desconciliar a prática da reflexão, também acredito ser impossível desconciliar a reflexão da prática. Assim é com o jornalismo e com todas as outras áreas. O que será de um filósofo que se tranca em seu escritório a pensar sobre a vida sem ver o mundo? Sem ao menos ter contato com outras pessoas na forma de alunos?

Pois pela primeira vez vi uma tentativa de tentar mudar essa situação que, pelo que vi, atinge a estudantes de jornalismo de outras partes do País. Dois jornalistas de Brasília decidiram criar a Escola Livre de Jornalismo, e reunir gente que realmente trabalha em redações para dar aula a universitários e recém formados. Entre os professores, gente como Ricardo Noblat, Miriam Leitão, Luís Nassif e Mino Carta, além de outras pessoas que já passaram pelos principais veículos do Brasil. A instituição formou sua primeira turma no final de junho, e se prepara para uma segunda leva de alunos e também para uma oficina de reportagem. Parece que fez sucesso -apesar das mensalidades salgadas de R$800,00 divididos em 4 vezes- as vagas para a primeira turma se esgotaram, e houve uma lista de espera de pelo menos 55 pessoas. As aulas são ministradas aos sábados, em 16 encontros. Não chega a ser um curso de faculdade completo, mas dá pra ter o gostinho da experiência.

Com todo esse elenco, é claro que me deu água na boca. Mesmo morando longe longe, resolvi mandar um e-mail para a Escola, para averiguar as chances de uma vinda para BH. Eles foram super solícitos, e afirmaram que uma das idéias era expandir o curso para outras cidades. Me coloquei a disposição, e para ajudar, agora estou levantando uma lista de interessados no curso. Quem também ficou morrendo de vontade de ter esse time dando aula pra gente aqui em BH, é só me mandar um e-mail (laraveloso@gmail.com) com nome completo e falando em qual instituição que estuda.

4 de julho de 2008

Memórias


*Observação: O blogger pirou. Não consigo mais editar esse texto da maneira que deveria. Desculpem o incoveniente.

Há alguns posts atrás, mencionei o meu primeiro texto que saiu em uma publicação, e prometi trazê-lo de volta. Procurei o antigo
Jornal do Balão (Balão Vermelho era escola em que eu estudava) aqui em casa, sem sucesso. A solução então era ir até a escola pra ver se havia algum tipo de arquivo dos jornais mais antigos. Pois alguns dias atrás cheguei até a sonhar com tal empreitada. Eu ia até a escola, e era atendida por um dos meus veteranos de faculdade, o Vinícius, que também trabalhou comigo na Rádio UFMG Educativa. Sempre achei ele uma pessoa muito simpática. E a simpatia com que me atendeu no sonho foi tanta, que resolvi ir lá (na vida real, que fique claro) na escola naquela mesma manhã.

Chegando lá, diante da cara de dúvida da secretária que me atendeu quando expliquei meu caso, cheguei a duvidar do meu sucesso. Mas logo ela me mandou ir até a biblioteca onde a Sônia (bibliotecária desde os meus tempos) ia me ajudar a procurar a edição que tinha o meu texto. A solicitude com que ela me ajudou foi a mesma com que fui atendida no meu sonho. No entanto, mesmo vasculhando todas as edições de 1996 e 1995, não conseguíamos achar os textos. Ao ler os outros jornais, um sentimento estranho passou por mim: percebi que até aquele momento eu acreditava que só o meu texto tinha saído no Jornal do Balão. E é claro que a publicação não só tinha, mas era feita de contribuições de vários alunos da 3ª e da 4ª séries. De alguma maneira, o fato do meu texto ter saído também ficou gravado como um fato grandioso e inédito na minha mente.

Olhando ao redor e me vendo na biblioteca que agora parecia minúscula, também consegui encaixar uma cena que eu tinha na cabeça há muito tempo. A cena em que eu via pela primeira vez meu texto no jornal se passava justamente naquela sala. Acho que eu não esperei distribuirem o jornal, fui até lá ver, ou me levaram lá. Eram tempos tão agradáveis quanto a lembrança deles. Depois de vasculhar mais de uma dezena de jornais, acabei achando a edição completa que trazia o meu texto. A dona Sônia ficou tão feliz que xerocou o jornal inteiro pra mim. E agora que tenho aquele antigo texto diante dos meus olhos, passo pra vocês (como está, tá?):

Jornal do Balão, maio de 1996. Seção Cultura, subseção Memórias.

Coração


Coração era o meu melhor amigo; corpinho marrom, barriguinha branca e olhinhos marrons que, quando olham pra você, parecem dizer algo.
Na época, era o único ursinho que eu tinha. Companheiro compreensível, Coração era o ursinho que todo mundo gostaria de ter.
Num belíssimo dia, eu entrei no meu quarto gritando: - Coração! Coração!
É claro que era brincadeira, Fiz isso só para minha empregada, a Cida, achar que eu estava maluca, quando uma vozinha meio escondida disse: - estou aqui. Ai, ui.
Eu levei um susto tão grande que emudeci. Alguns minutos depois, eu recuperei a minha voz e disse: - quem "tá" aí? É você, Coração?
A vozinha então falou: - é sim. Só que me tira daqui antes que eu vire picadinho de coração.
Então eu me lembrei que, de manhã, eu havia jogado Coração longe, de tão feliz que fiquei ao ver minha avó.
Tirei-o dos destroços (baguncinhas do meu quarto) e disse: - que legal, você fala de verdade, vou contar para a minha mãe.
E fui saindo toda saltitante e cantante, quando ele me deteve, dizendo: - não!
Parei num pulinho e perguntei: - por que não?

E ele disse: - porque só você pode me ouvir.
- Aaaaaaahh... eu disse.
A partir daí, nos tornamos amigos íntimos e passei a levar Coração a todos os lugares onde eu ia: restaurantes, aniversários, etc.
Até que, num péssimo dia, entrei no meu quarto disposta para Coração que eu havia passado de ano, quando... nããoo!! Coração estava todo machucado, socado num canto. Fui socorrê-lo. O coitado não falava nem uma palavrinha.
O meu primo Álvaro havia acabado com aquela amizade de dois meses. Fui tirar satisfações com ele e quando voltei, me lembrei de como foi bom conhecer Coração, e nunca mais me esqueci dele.

*Adendo: também descobri o nome completo do jornalista que veio dar aula pra nossa turma sobre lead: André Luiz Cabanelas.

30 de junho de 2008

Fernanda Takai na Blogosfera


Na aula de francês (aquela aos sábados de manhã em que morro de preguiça de ir) a professora pediu pra gente fazer um resumo sobre uma pessoa famosa, pra gente treinar a língua com fatos reais. Escolhi Fernanda Takai porque gosto bastante dela, e como ela é agora ao mesmo tempo cantora e escritora, eu teria muito pra falar. Acabei descobrindo que ela tem um blog também, que tem o mesmo nome do disco novo dela, Onde Brilhem os Olhos Seus. É uma boa pedida pra quem quer acompanhar as ações da moça que canta suave e gosta de Nara Leão, e ficar por dentro de turnês, viagens e shows, além de saber mais sobre o livro e o cd.


E pra quem gosta da banda, também tem, é claro, o site oficial do Pato Fu, muito bem feito aliás, cheio de efeitos especiais que combinam com o novo cd, Daqui pro Futuro. Outra boa indicação é o blog do Jonh, marido da Fernanda e guitarrista da banda. Não é tão bem feito como o da Takai, mas tem a cara dele.


*Crédito da foto:
Fabiana Figueiredo e Pierre Devin

25 de junho de 2008

Livro bom e/é barato

Pra quem gosta de livros, mas não tem orçamento pra encarar um de mais de R$40,00 a cada mês, aqui vão algumas dicas bacanas:

::Dica 1
A primeira delas é, mais do que um site na internet, um projeto que ligou programadores, administradores e professores em torno do ideal de difundir a cultura literária no País. Uma das barreiras para que mais gente leia são os preços exorbitantes dos livros. Uma das soluções para esse problema são os milhares de sebos espalhados pelo Brasil. Para facilitar a vida de quem procura um livro usado, o Estante Virtual reuniu então a lista de títulos do acervo de mais de mil sebos e colocou à disposição. A busca pode ser feita por autor, nome do livro, e até faixa de preço. Também se pode separar os resultados por estado ou cidade. Além disso, depois de ter achado os seus títulos favoritos, você pode pedí-los pelo correio. Pena que ainda tenha o preço do frete, que é cobrado em cada unidade, e gira em torno dos R$4, 5,00. Mesmo assim, é uma boa pedida na procura por livros.

::Dica 2
A segunda dica é para aqueles que gostariam de fazer o circuito dos sebos pessoalmente. Há algumas listas de sebos na internet. Uma delas é organizada mas escassa, e a outra é desorganizada e grande. De qualquer forma, dá pra fuçar no site anterior e decobrir em qual sebo tem o livro que você quer. Daí é só consultar na outra lista e dar uma passada lá. Bacana, não?

::Dica 3
Agora a gente entra num semi-projeto pessoal. Um jeito bacana de se arrumar novos livros pra ler é contar com a solidariedade dos amigos. Não tanto solidariedade, mais reciprocidade. Assim, você empresta um livro pra um amigo seu, ele te empresta outro. Simples assim. Desse jeito, se um não devolver o livro, como muitas vezes acontece, ninguém sai perdendo.

Aqui segue uma (pequena) lista de livros que eu quero ler:
Budapeste - Chico Buarque
Estorvo - Chico Buarque
O Duplo - Dostoievski
Crime e Castigo - Dostoievski
Os Movimentos Simulados - Fernando Sabino
O Outono do Patriarca - Gabriel García Márquez
Sagarana - Guimarães Rosa
O Lobo da Estepe - Hermann Hesse
O Barão nas Árvores - Ítalo Calvino
Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
A Biblioteca de Babel - Jorge Luiz Borges
Ensaio Sobre a Lucidez - José Saramago
As Intermitências da Morte - José Saramago
O Homem que Matou Getúlio Vargas - Jô Soares
Assassinato na Academia Brasileira de Letras - Jô Soares
A História Sem Fim - Michael Ende
A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
A Vida como ela é - Nelson Rodrigues
A Menina sem Estrela - Nelson Rodrigues
O Nome da Rosa - Umberto Eco
Coleção Pecados Capitais - vários autores


E uma lista de livros que eu tenho pra emprestar:
O Diário de Anne Frank - Anne Frank
A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Nunca Subestime uma Mulherzinha - Fernanda Takai
Além do Bem e do Mal - Friedrich Nietzsche
A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada - Gabriel García Márquez
Flor da Morte - Henriqueta Lisboa
6 Propostas para o Novo Milênio - Ítalo Calvino
Os Amores Difíceis - Ítalo Calvino
As Cidades Invisíveis - Ítalo Calvino
Capitães da Areia - Jorge Amado
Ficções - Jorge Luiz Borges
O Coronel e o Lobisomem - José Cândido de Carvalho
Xadrez, Truco e Outras Guerras - José Roberto Torero (Coleção Pecados Capitais - Ira)
Todos os Nomes - José Saramago
O Evangélio Segundo Jesus Cristo - José Saramago
O Livro das Religiões - Jostein Gaarder
O Dia do Curinga - Jostein Gaarder
As Mentiras que os Homens Contam - Luiz Fernando Veríssimo
Comédias para se Ler na Escola - Luiz Fernando Veríssimo
Perdas e Ganhos - Lya Luft
Um Marido Ideal - Oscar Wilde
Violetas na Janela - Patrícia
A Utopia - Thomas More


Quem quiser, ia ser bacana colocar os livros que tem disponíveis e os que quer (por mais que isso seja difícil) nos comentários. Assim, todo mundo pode ver, e a troca pode acontecer entre mais pessoas. Indicações de livros interessantes também são bem-vindas.


23 de junho de 2008

Sobre escritores e jornalistas

Descobri a profissão de jornalista ao mesmo tempo que entendia o que era ser escritora. Estava com meus 10 anos de idade, sentada na sala da porta amarela da quarta série quando a professora anunciou a novidade: naquele dia teríamos a visita de um jornalista (de verdade!), que nos falaria sobre a profissão de escrever reportagens. Foi a primeira (e única!) pessoa que me explicou o que era um lead, aquelas seis perguntinhas básicas: o que, quem, quando, onde, como e por quê. Não esqueço até hoje. Não me lembro se ele era já formado ou para qual veículo trabalhava, mas me lembro do nome: André.

No mesmo ano, descobri a profissão de escritora. Ou melhor, descobri que podia escrever histórias. Não deixou de ser mais uma simbiose com o jornalismo, meu texto saiu no recém-lançado jornal da escola. No papel eu misturava fantasia e ficção, elementos da vida real com fatos como ursinhos de pelúcia falantes. Só agora, 11 anos depois, percebo a força daquele texto. Se tratava, no fundo, da perda da inocência. Não candidamente perdida, como a menina da fita verde no cabelo, mas tirada à contra-gosto por um primo mais velho. Ainda acho o texto e então transcrevo para este blog (nem que eu tenha que vasculhar os registros da escola).


Depois disso, o que eu sempre quis foi escrever ficção, mas acabei entrando na faculdade para escrever fatos reais. O lead, os dados, personagens do mundo de carne e osso. Confesso que o fato de não poder tirar nada da minha própria cabeça me incomoda um bocado. Deve ser por isso que uma vez por outra eu troque nomes ou números.


É que a realidade é simplesmente tão chata!


25 de dezembro de 2007

Terceiro milênio

Como grande parte dos belorizontinos, eu tenho família no interior. Como grande parte dos moradores da capital, vou passar o natal com os parentes a centenas de quilômetros de distância, e só vejo minhas avós e tios quando muito a cada seis meses. Cada vez que eu venho a Pouso Alegre (no sul de Minas), encontro casas diferentes do que vi da última vez. Um eletrodoméstico novo, um móvel que mudou de lugar, pintura nova na cozinha. Dessa vez, eu cheguei para visita e encontrei o computador na sala, ocupando o lugar que antes era da televisão da minha avó.

Parece banal assim, só a troca de um eletrodoméstico de lugar, uma questão de praticidade (às vezes os vizinhos pediam para usar a internet e tinham que ficar sentados no quarto das minhas tias, onde o pc ficava), mas na verdade as coisas podem significar mais. Sempre reparei que em cada cômodo há um objeto que domina a cena. No quarto, a cama. Na cozinha, a geladeira ou o fogão. Na sala, era ela, imbatível, no centro de todas as atenções e para a qual todos os móveis convergiam e se curvavam, a televisão. Nos anos 60, em algumas casas, ela ainda chegou destronando o rádio. Pois na casa da minha avó Percília, o reinado acabou. O computador chegou junto com a internet banda larga, orkut, sites religiosos, e-mails e tudo o que puder ser encontrado em uma busca no Google.

O fato fica ainda mais grave por ser uma casa de pessoas com poucos recursos, numa cidade do interior de Minas onde até pouco tempo a internet banda larga era considerado desperdício de dinheiro. Além disso, a televisão foi parar no quarto da minha avó, uma velhinha de 80 anos, que passou a ser praticamente a sua única expectadora. A troca dos aparelhos é uma metáfora do crescente domínio da nova mídia também sobre a universal tv.

Mas existe ainda uma outra implicação dentro dessa troca, além dos estragos no império televisivo. A televisão também mudou costumes. Depois que ela chegou, as pessoas pararem de se sentar à varanda pra bater um papo, e passaram a se sentar na sala de tv para ver a novela, conversando furtivamente durante os comerciais. Só que enquanto a televisão servia para ser vista em conjunto, o computador funciona mais para uma pessoa usar sozinha. As pessoas que já tinham reduzido a conversa, agora iam deixar até de ficar juntas na mesma sala? A internet que une pessoas distantes separando as que estão perto? Um sinal do individualismo que invade até as casinhas do interior.

Mas nessa tarde voltei à casa da minha avó. E encontrei a velhinha papeando com uma sobrinha que não via a tempos, que contava sobre a melhora do filho usuário de drogas em uma casa de recuperação. Participavam da conversa, meu pai e minha mãe, tecendo comentários sobre o perigo do mundo das drogas, e a destruição que causa à família "ainda bem, meu filho nunca usou" respira aliviada. Na sala, só o som da conversa, em outros casos e risadas. Sem o barulho dos comerciais, das chamadas da tv, dos protagonistas das novelas.

No outro lado do cômodo, o computador espera desligado.

10 de dezembro de 2007

Chocolate


"Amor é quando você pega a parte do bolo que tem mais chocolate e dá pra pessoa que você ama"















acho que estou ficando brega.

13 de novembro de 2007

Folhetim

Parte IV
Mesmo sem ter garantias, ele enxerga um futuro simples e cúmplice para ele e Margarette. Uma casinha num bairro longe do centro, onde seria mais tranqüilo, mas em compensação ele teria que levá-la para trabalhar na cidade se ela fosse continuar no emprego, o que não seria de todo ruim, pois poderia passar mais tempo com ela; jantares na casa dos pais nos fins de semana, nos quais a mãe assuntaria discretamente sobre as possibilidades de netos, e o pai o parabenizaria secretamente pela escolha da moça; nos dias de semana ela o esperaria em casa à tardinha e lhe cozinharia o seu prato preferido às quartas-feiras, enquanto ele lhe faria pequenas surpresas às sextas, como um buquê de flores (caso ela não fosse alérgica, é claro) ou um bibelô da lojinha de 1,99. Depois viriam filhos, babás, aposentadorias e netos. E no final, uma morte serena, deitados de mãos dadas na mesma cama, exaustos depois do último amor.

Isso tudo passa na mente de Jonh Thomas Poe, e o deixa com a visão das coisas reais tão embaçada que ele quase é atropelado por um carro no momento em que cruza a rua. Ainda assim, o destino junto à sua amada passa por alamedas verdejantes, ladeada de árvores, com o anil do céu a brilhar por cima. Mas neste momento, a alameda leva ao prédio de escritórios onde ele trabalha. No elevador, repete para o acensorista o qua – quatro. O acensorista já conhece o homem, e sabe muito bem em que andar trabalha, mas Jonh Thomas Poe repete todos os dias, e nem ele sabe porquê.

29 de outubro de 2007

Folhetim

Parte III


Pois bem, mas vamos à moça. Margarette, com dois “tês”, é garçonete no restaurante duas quadras abaixo do local onde o nosso herói trabalha. O Las Colinas pertence ao Pai, assim como as duas filhas e a mulher. A mulher é falecida há sete anos. A irmã entrou para um convento, já que não podia ter filhos mesmo, resolveu unir o útil ao agradável e passar a vida no celibato. O Pai coxeia de uma perna. Margarette o ajuda no restaurante junto com a Cozinheira, que se aproxima dos cem quilos e o Garçom, que usa gel e brincos de argola. A Cozinheira nunca come na frente dos outros, e diz que o cheiro da comida é que engorda. O Garçom diz que o gel e o brinco ajudam a desviar o olhar das moças do seu nariz torto.

E Margarette? Margarette é comum, a tirar os dois “tês” do seu nome. Tem cabelos pretos comuns, de um comprimento comum, uma altura mediana, olhos castanhos como os das outras moças, e pele com tom de pele. Não é feia, mas também não é bonita, exceto para Jonh, que a acha, como não poderia de fato ser, simplesmente maravilhosa. O nome é herança da avó, que morreu dormindo no mesmo momento que a menina nascia. Ela, que ia se chamar Georgianna, passou a se chamar Margarette, com dois “tês”, que era para se conservar alguma coisa do nome anterior.

Mas Jonh Thomas Poe não sabe desses detalhes. Neste momento ele está trancando a porta de casa e saindo para trabalhar.